Confederação Brasileira de Kickboxing

Edson Venturatto

Nome: Edson Venturatto
Idade: 42 anos
Cidade: Belo Horizonte/MG (radicado em Vitória/ES)

Durante o período difícil em que vivemos sem competições a CBKB dedicou esse espaço do atleta do mês para lutadores que estavam ligados ao combate a pandemia de alguma forma. Passado esse período inicial, mesmo ainda longe da normalidade, retomamos primeiro o uso para histórias e conquistas de atletas em outros eventos, como os e-eventos e depois para homenagens póstumas a eternos atletas que nos deixaram. Mas agora, com o retorno gradual das competições, voltamos a homenagear atletas com conquistas importantes no mês que passou. O objetivo da sessão é conhecer um pouco mais a história de vida e do dia a dia desses guerreiros e guerreiras e relembrar um pouco dessas conquistas mais recentes.

Neste mês de novembro a sessão do atleta do mês homenageia um velho conhecido do kickboxing nacional e alguém que representa bem o espírito do esporte. Nascido em Belo Horizonte, mas radicado em Vitória, no Espírito Santo, onde se mudou aos 12 anos de idade, Edson Venturatto é um verdadeiro kickboxer ‘raiz’ como se diz por aí. Hoje com 42 anos, ele iniciou a carreira em 1996 quando o kickboxing era chamado apenas de Full Contact. Apaixonado desde criança pelos filmes do famoso ator Jean-Claude Van Damme, Edson teve ali suas primeiras inspirações para iniciar no esporte. E se perguntado se teve algum outro estímulo para ingressar nas artes marciais ele é categórico: apenas os filmes de Van Damme. Sua trajetória no esporte começou com 16 anos de idade e seguia bem até fraturar o braço em 1999 e ficar um bom tempo parado. O retorno veio em 2004 e aí ele nunca mais parou. Diversas competições disputadas, vitórias, reveses e muito aprendizado.

Como atleta ele se define como alguém que sempre gostou de desafios. Afirma que não existe nada igual a adrenalina. Competitivo, enche o peito para dizer que não entra na luta só para lutar, entra pra ganhar e treina para ser campeão. Dentro do ringue costuma trabalhar muito os chutes, pela origem no Full Contact, mas a combinação de mão e perna são suas maiores características. Outro destaque de seu jogo consiste na caça ao adversário do início ao fim da luta. Já inicia buscando a pontuação e trabalhando com inteligência. Além de afirmar sempre ter um golpe surpresa, aquele que o adversário não espera. Por treinar muitas combinações de golpes, reitera que o elemento surpresa faz toda diferença na luta.

Fora do ringue, Edson carrega uma outra faceta. Formado em direito, ele é advogado e já trabalhou na área em diversos momentos. Hoje, cursa mais uma faculdade: fisioterapia. Um antigo desejo por mera paixão e vontade de ampliar seus conhecimentos na área da saúde. Nos momentos livres se define como um cara tranquilo, que sempre que pode se reúne com os amigos para um bom bate-papo e não abre mão de uma viagem com a família para espairecer. E carrega ainda uma curiosidade: medo de soco e chute ele não tem, mas não pode ver uma barata pela frente que o assunto muda.

Já um pouco por dentro da vida de Edson, vamos ao motivo dele ter sido eleito o atleta do mês de setembro. Na última semana, Edson e a delegação brasileira participaram do Mundial de Kickboxing WAKO, realizado na Itália. E o resultado não podia ser melhor: o mineiro/capixaba se sagrou campeão na modalidade Kick Light Master na divisão -74kg. A saga para a competição começou dia 13/10 no embarque para a Itália. Chegando lá, ele e a delegação foram direto para pesagem e controle médico, com testes de Covid a cada dois dias. Com diversos resultados positivos, alguns dos atletas internacionais foram desclassificados. O que pode ter sido o caso do primeiro adversário de Edson, o húngaro Terebesi Csaba, que não apareceu para a luta das quartas de finais e deu o W.O ao brasileiro. Nas semifinais, ele entrou no tatame para encarar o sueco Eberstein Niklas, um osso duro de roer.  Em uma luta bem complicada com o sueco vindo para cima o tempo todo e trocação do início ao fim. Mas no final, melhor para Edson, que levou a vitória por pontos.

Na grande final, um duelo inédito. Pela primeira vez Brasil e Argentina se encontraram. O adversário era o hermano Lafuente Esteban Germán, mais uma pedreira. E seguindo as tradições de duelos entre os dois países, a luta pegou fogo, mas Edson conseguiu abrir vantagem de pontos desde o início e controlou a luta para se sagrar campeão mundial pela primeira vez. Este foi o quarto mundial do lutador, que já havia participado das edições de 2011 na Macedônia, 2013 na Turquia e 2017 na Hungria. Esta também foi a primeira vez que um brasileiro, entre os homens, sagrou-se campeão mundial WAKO. E ele fez questão de agradecer a todos os treinadores e atletas que estiveram na competição e o apoiaram do início ao fim.

Nesse período difícil, Edson mostra que o trabalho duro é o melhor amigo do sucesso e mesmo com todas as dificuldades na caminhada até aqui, conseguiu chegar ao topo. As conquistas mostram que aqui temos material humano de sobra e apesar das dificuldades, o sonho e a vontade de chegar ao lugar mais alto do pódio sempre falam mais alto. Parabéns ao lutador e sua equipe.