Confederação Brasileira de Kickboxing

Maria Heloisa Belanson - Paraná

Nome: Maria Heloisa Belanson
Idade: 17 anos
Cidade: Arapongas/PR, radicada em Cascavel/PR

Durante o período difícil em que vivemos sem competições a CBKB dedicou esse espaço do atleta do mês para lutadores que estavam ligados ao combate a pandemia de alguma forma. Passado esse período inicial, mesmo ainda longe da normalidade, retomamos primeiro o uso deste espaço para histórias e conquistas de atletas em outros eventos, como os e-eventos e depois para homenagens póstumas a eternos atletas que nos deixaram. Mas agora, com o retorno gradual das competições, voltamos a homenagear atletas com conquistas importantes no mês que passou. O objetivo da sessão é conhecer um pouco mais a história de vida e do dia a dia desses guerreiros e guerreiras e relembrar um pouco dessas conquistas mais recentes.

Neste mês de dezembro, a sessão do atleta do mês homenageia mais uma vez alguém com o Kickboxing na veia desde berço. A paranaense Maria Heloisa Belanson, de apenas 17 anos, vem dando o que falar no cenário sul-americano de Kickboxing. Nascida na pequena cidade de Arapongas, mas residente em Cascavel desde o primeiro mês de vida, a filha do faixa preta CBKB Roney Belanson e da faixa marrom Elaine Belanson começou na luta ainda muito cedo, aos seis anos de idade. Depois de fazer ballet desde os dois anos, a pequena Maria precisava achar uma atividade para ajudar a lidar com o bruxismo que enfrentava na infância e assim auxiliar em seu sono. Foi aí que ela trocou o uso do tablet, enquanto os pais faziam aulas de lutas, pelo tatame/ringue. Na primeira aula experimental, sua elasticidade já a ajudou a aprender com facilidade os chutes altos, sua grande paixão atual, além de outros movimentos. A partir dali o interesse pelo Kickboxing foi só aumentando conforme os dias foram passando. Aos nove anos, participou de sua primeira competição, por incentivo de seu professor, contra uma colega de treino da sua idade. E aí não quis parar mais. A sensação da competição foi paixão imediata para Maria Heloisa e a partir de então ela foi se inscrevendo em todos os campeonatos que apareciam, até entrar de vez no circuito paranaense, brasileiro e sul-americano.

Dona de um perfil tranquilo fora do ambiente de luta, ela faz sucesso na internet. Com uma rede social com quase 40 mil seguidores, Maria resolveu investir nas mídias digitais por incentivo de um amigo da família, que insistia que para estar em grandes eventos era preciso ter um perfil movimentado e engajado. Apesar da timidez inicial, ela foi se acostumando e com a ajuda de sua mãe conseguiu a visibilidade que precisava. A relação com a rede social é benéfica. Segundo ela, a interação com os admiradores do seu trabalho, a exposição que a ajudam na captação de patrocínios contrastam com a pressão dos elogios e das críticas, que ela lida bem e garante fazer parte do processo de amadurecimento de uma atleta profissional.

Dentro do ringue, Maria se define como uma atleta que gosta de andar para frente, que procura pontuar bastante e adora chutes altos. Fora dele, diz ser uma pessoa muito organizada, que abdica de comemorações e festas para estar sempre na melhor forma física e mental. Com todo o suporte dos pais, ela tem uma rotina diferente de uma adolescente comum de 17 anos. Rotina de atleta profissional, que sonha em ser campeã mundial um dia. Antes de se tornar lutadora, Maria queria ser bailarina ou ginasta. Até enfermeira e modelo também eram desejos da pequena paranaense. Hoje, já consolidada como atleta, pretende ingressar na faculdade de Educação Física no ano que vem, apesar da admiração pelos cursos de Nutrição e Fisioterapia. Junto com isso ela ainda concilia a rotina como modelo fotográfica de uma loja feminina.

Dona de diversos títulos no cenário da América do Sul como os Campeonatos Paranaense, Brasileiro, Copa do Brasil e Copa América, Maria brilhou mais uma vez neste mês de dezembro. Na primeira quinzena, aconteceu mais uma edição o Sul-Americano de Kickboxing, que foi realizado justamente em Cascavel, cidade de Maria, no Paraná. E ela fez bonito em casa. Competindo em três modalidades diferentes, a anfitriã levou para casa as três medalhas de ouro e consolidou mais uma vez seu nome como uma das maiores promessas nacionais.  Na categoria Light Contact (55kg) e na categoria Point Light (55kg) ela venceu a atleta de São Paulo, Kamile Santos, e se sagrou campeã, ambas por pontos. Já na divisão Kick Light (55kg) ela bateu a paulista Dandara Nascimento, que já havia vencido uma atleta paraguaia, para faturar mais um título, também por pontos. Para chegar até essas conquistas, Maria teve que abdicar de uma fase importante da sua vida: os festejos pela formatura no terceiro ano do colégio. Mas valeu a pena, já que ela chegou ao objetivo de conquistar as três medalhas de ouro que disputaria.

Nesse período difícil, Maria mostra que o trabalho duro é o melhor amigo do sucesso e mesmo com todas as dificuldades na caminhada até aqui, conseguiu chegar ao topo mais uma vez. As conquistas mostram que aqui temos material humano de sobra e apesar das dificuldades, o sonho e a vontade de chegar ao lugar mais alto do pódio sempre falam mais alto. Parabéns a lutadora e sua equipe.